TEATRO
O HOMEM DECOMPOSTOPeça de Matéi Visniec mistura humor, absurdo e poesia para refletir sobre isolamento e incomunicabilidade
Comédia | Dir. Ary Coslov | 14 | 75'
ter a qua, 20h
10/mar a 22/abr
A partir de R$ 40
Teatro Poeira
3709
Em “O Homem Decomposto”, pequenas histórias independentes se conectam para retratar uma sociedade marcada pelo estranhamento e pela dificuldade de comunicação. Entre situações absurdas, distópicas e poéticas, personagens enfrentam medos coletivos, solidão e forças opressoras invisíveis, em uma dramaturgia que alterna humor ácido e reflexão existencial.
Texto: Matéi Visniec
Com Dani Barros, Guida Vianna, Júnior Vieira, Marcelo Aquino e Mario Borges
Teatro Poeira - R. São João Batista, 104 - Botafogo
TEATRO
DIAS FELIZES DE SAMUEL BECKETT
Drama | Dir. Paulo de Moraes | 14 | 75'
qui a dom, 19h30
26/fev a 22/mar
A partir de R$ 40
Fundição Progresso
1917
Enterrada até a cintura — e depois até o pescoço — Winnie encontra em seus pequenos rituais a última linha de defesa contra o colapso.
Entre o sino estridente que pontua seu dia como um despertador sem trégua e o sol impiedoso que derrete qualquer noção de tempo, ela se apega ao conteúdo de sua bolsa espaçosa: uma escova de dentes, um batom, um espelho — e, mais ameaçadoramente, um revólver.
Montagem da Armazém Companhia de Teatro.
Com Patrícia Selonk, Felipe Bustamante, Isabel Pacheco, Jopa Moraes
Fundição Progresso - Rua dos Arcos, 24 - Lapa
TEATRO
FERA
Drama | Dir. Natasha Corbelino | 18 | 60'
ter e qua, 20h
10/mar a 22/abr
A partir de R$ 40
Teatro Poeirinha
1953
Fera é um solo de Carolina Ferman, que divide o palco apenas com uma caixa de som, formando uma dupla entre o humano e a máquina. A narrativa se inspira livremente no universo de O Olho do Crocodilo, obra da filósofa ambientalista Val Plumwood, e propõe uma imersão sensível nas fronteiras entre natureza, corpo e tecnologia.
A partir do relato visceral de um ataque real — o encontro brutal entre mulher e animal — a peça desdobra essa experiência de quase morte.
No limiar entre a vida e a morte, a montagem estende o tempo, dilata o instante e investiga o abismo do inesperado, tendo como metáfora e presença o crocodilo.
Texto: Carolina Ferman e Natasha Corbelino
Com Carolina Ferman
Teatro Poeirinha - Rua São João Batista, 104 - Botafogo
TEATRO
OS IGNORANTES
Comédia | Dir. | 14 | '
seg, 20h
12/jan a 23/mar
A partir de R$ 75
Teatro das Artes
3384
A peça propõe uma reflexão bem-humorada sobre a dificuldade humana de reconhecer a própria ignorância. A trama gira em torno de um episódio trágico que envolve um menino atingido por uma bala perdida, mas o foco não está no acontecimento em si, e sim nas reações das pessoas ao redor e na forma como elas desconhecem suas próprias motivações. Com linguagem leve, irônica e espírito de comédia picaresca, o espetáculo transforma um tema denso em uma experiência divertida, provocando o público a rir e pensar sobre o quanto todos ignoram a si mesmos em algum nível.
Texto: Pedro Cardoso
Com Pedro Cardoso
Teatro das Artes - Rua Marquês de São Vicente, 52/2º - Shopping da Gávea
TEATRO
A COISA
Comédia | Dir. André Dale, George Sauma e Leandro Soares | 16 | 75'
qua, 20h
25/fev a 01/abr
A partir de R$ 30
Teatro Glaucio Gill
1383
Dois velhos amigos se encontram numa praça e descobrem que nunca foram donos de suas próprias ações, pois existe algo misterioso que está sempre dizendo o que devem fazer.
Depois, dois desconhecidos se encontram num lugar deserto: um parece guardar um segredo, e o outro luta avidamente para descobrir o intrigante enigma.
Por fim, três atores precisam resolver o grave problema que está acometendo um deles: perdeu a máscara facial, está sem expressão, não faz ideia de como vai conseguir atuar à noite na peça onde trabalha. Em "A Coisa" essas situações absurdistas são levadas ao extremo, tensionando a própria ideia do teatro.
Concebido, dirigido e protagonizado por André Dale, George Sauma e Leandro Soares, "A Coisa" é uma obra que homenageia e tensiona a própria essência teatral. O espetáculo percorre as estruturas fundamentais do teatro expandindo essa investigação, explorando os mistérios, paradoxos e desafios de uma arte que se reinventa a cada encontro com o público.
Com André Dale, George Sauma e Leandro Soares
Teatro Glaucio Gill - Praça Cardeal Arcoverde, s/n - Copacabana
TEATRO
A.M.I.G.A.S.
Comédia | Dir. Ernesto Piccolo | 12 | 70'
seg e ter, 20h
02/mar até 28/abr
A partir de R$ 60
Teatro Vannucci
1291
A amizade de três jovens, sua cumplicidade e parceria costuram as situações apresentadas e são o ponto de partida para a criação da Associação das Mulheres Interessadas em Gargalhadas, Amor e Sexo (A.M.I.G.A.S.) em que elas registram suas experiências vividas. Já os mais de 20 personagens masculinos, estão a cargo de Bernardo Coimbra.
Montada pela primeira vez há exatos 25 anos, a peça é uma adaptação teatral que o falecido Duda Ribeiro escreveu, inspirado no livro homônimo de Cláudia Mello.
Na ocasião, Ernesto Piccolo integrava o elenco de atores dirigido por Cristina Pereira, sendo o responsável por interpretar todos os papéis masculinos.
Julia Iorio, filha de Duda, sempre gostou do espetáculo e, após um encontro com Ernesto no ano passado, resolveu criar coragem e montar novamente a peça. Ela se juntou à Luiza e à Isabel em uma adaptação do texto de Duda para os dias atuais.
Com Isabel Castello Branco, Julia Iorio, Luiza Lewicki e Bernardo Coimbra
Teatro Vannucci - Rua Marquês de São Vicente, 52/3º - Shopping da Gávea
TEATRO
EU SOU MINHA PRÓPRIA MULHER
Drama | Dir. Herson Capri | 14 | 70'
qui a sáb, 20h | dom, 19h
05/mar a 26/abr
A partir de R$ 70
Teatro Poeira
3692
Dezoito anos após o sucesso da primeira montagem, o solo retorna aos palcos revisitando a trajetória real de Charlotte von Mahlsdorf (1928-2002), mulher trans que enfrentou o nazismo e o regime da Alemanha Oriental sem abrir mão da própria identidade. Sobreviveu à perseguição, ao preconceito e à violência.
Guardiã de memórias e criadora de um museu de antiguidades, ela também manteve um cabaré LGTBQIA clandestino que se tornou ponto de resistência cultural e afetiva.
A narrativa acompanha o encontro entre o dramaturgo e sua personagem, revelando memórias, conflitos e revelações que atravessam temas como intolerância, autoritarismo e identidade de gênero.
Texto: Doug Wright
Com Edwin Luisi
Teatro Poeira - R. São João Batista, 104 - Botafogo
TEATRO
F I L I P A
Drama / Histórico | Dir. Maria Clara Guim | 16 | 60'
qui e sex, 20h
05 a 27/mar
A partir de R$ 26
Teatro Glaucio Gill
3715
A montagem revisita o processo inquisitorial movido contra Filipa de Sousa, portuguesa perseguida na Bahia no século XVI sob acusação de “práticas nefandas”. Em cena, a narrativa se desenrola a partir do julgamento, expondo os mecanismos de repressão do Tribunal do Santo Ofício e a violência institucionalizada contra mulheres que fugiam às normas impostas pela época. A atriz interpreta diferentes vozes da história, entre elas a própria Filipa, seu inquisidor e uma narradora, revelando as camadas políticas, religiosas e sociais do caso. Considerada uma das primeiras vítimas de homofobia no Brasil, Filipa tornou-se símbolo de resistência e memória para o movimento LGBTQIAPN+.
Texto: Gabriela Amaral
Com Waleska Arêas
Teatro Glaucio Gill - Praça Cardeal Arcoverde, s/n - Copacabana
TEATRO
RASPADINHAS
Comédia | Dir. Daniel Dias da Silva | L | 60'
sex/sáb, 20h | dom, 18h
6 a 29/mar
A partir de R$ 25
Espaço ABU
3017
A comédia apresenta a história de uma família brasileira que vê o cotidiano sair do eixo após se deixar levar pela empolgação dos jogos de azar. Misturando humor e afeto, o espetáculo mergulha nas lembranças, superstições e esperanças que cercam o hábito do jogo — do bicho às bets — revelando como a busca pela sorte se entrelaça à cultura popular e ao famoso “jeitinho brasileiro”. Com um texto leve e cheio de referências nostálgicas dos anos 1990 e 2000, o monólogo provoca riso e reflexão sobre o quanto o jogo pode ser tanto fuga quanto sonho coletivo.
Texto: Alain Catein
Com Alain Catein
Espaço ABU - Av. Nossa Sra. de Copacabana, 249 - Copacabana
TEATRO
LIMÍTROFE
Drama | Dir. Daniel Dias da Silva | 14 | 75'
qui a sáb, 20h | dom, 19h
12 a 29/mar
A partir de R$ 30
Teatro Ipanema
2730
Três desconhecidos se encontram no alto de um prédio e, entre diálogos ácidos e reflexões inesperadas, a trama aborda saúde mental, estresse e ansiedade de forma leve, misturando humor e drama para provocar reflexão sobre a vida contemporânea.
Texto Original: Oscar Calixto
Com Malu Falangola, Raphael Najan e Oscar Calixto
Teatro Ipanema - R. Prudente de Morais, 824, Ipanema
TEATRO
MAGNÓLIA
Drama | Dir. Marina Esteves | 16 | '
qui a dom, 20h30
12/mar a 05/abr
A partir de R$ 15
SESC Copacabana
3721
Inspirado livremente na canção homônima de Jorge Ben Jor, o espetáculo apresenta a jornada fantástica de uma deusa astronauta que habita uma dimensão azul e rosa, cercada por estrelas e cometas. Ao encontrar o cavaleiro negro São Jorge, ela recebe a missão de descer à Terra para descobrir o que significa ser humana. Depois de sua queda, atravessa seis transformações até assumir o corpo de uma mulher negra. A partir dessa experiência, vivencia intensamente os prazeres, desafios e complexidades dessa existência.
Texto: Lucas Moura
Com Marina Esteves
SESC Copacabana - Rua Domingos Ferreira, 160 - Copacabana
TEATRO
CORAÇÃO NA BOCA
Drama | Dir. Felipe Vidal | 14 | 70'
qui a sáb, 19h | dom, 18h
13/mar a 26/abr
A partir de R$ 15
CCBB
3735
Inspirado no filme Pierrot le Fou (O Demônio das Onze Horas), de Jean-Luc Godard, o espetáculo Coração na Boca estreia no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro.
A montagem não adapta diretamente o longa, mas mergulha nas questões filosófico-existenciais do universo do cineasta francês para refletir sobre amor, liberdade e desejo na maturidade. Em cena, um casal de 60 anos parte dos personagens Marianne e Ferdinand para tensionar até quando é possível viver “com o coração na boca”. A dramaturgia fragmentada, construída a partir de colagens e sobreposições, dialoga com a linguagem da Nouvelle Vague e propõe uma encenação que mistura ficção, autobiografia e pensamento crítico.
Com Priscilla Rozenbaum e José Karini
CCBB - Av. Primeiro de Março, 66
TEATRO
EM NOME DA MÃE
Drama | Dir. Miwa Yanagizawa | 14 | 80'
seg e ter, 19h
16/mar a 07/abr
A partir de R$ 20
Firjan SESI Centro
1470
O espetáculo “Em Nome da Mãe” desconstrói a figura religiosa de Maria de Nazaré, trazendo uma abordagem humanizada de sua trajetória como uma jovem grávida em uma sociedade patriarcal. Baseado na obra do escritor italiano Erri de Luca, o monólogo estrelado por Suzana Nascimento destaca as dificuldades, preconceitos e desafios enfrentados por Maria antes de se tornar a mãe de Jesus. A peça oferece uma nova perspectiva sobre sua história, dando-lhe voz própria para relatar suas incertezas, medos e sonhos.
Sob a direção de Miwa Yanagizawa, a adaptação teatral aprofunda reflexões sobre feminismo e maternidade, explorando como valores patriarcais atravessaram séculos até os dias atuais. Ao longo da peça, Suzana Nascimento interpreta três versões de Maria – a jovem donzela, a mulher madura e a anciã – intercalando sua jornada com relatos pessoais e questões contemporâneas.
A obra propõe um olhar transformador sobre a figura de Maria, ampliando o debate sobre a opressão feminina e a necessidade de reescrever histórias sob novas perspectivas.
Com Suzana Nascimento
Firjan SESI Centro - Av. Graça Aranha, 1 - Centro
TEATRO
SOLOS FEMININOS - A EFÊMERA BELEZA DAS FLORES E CARANGUEJA
Drama | Dir. Larissa Porto e Teddy Zany | Fernanda Silva | - | '
qui, 20h
19 e 26/mar
A partir de R$ 40
Acaso Cultural
3814
As atrizes Luellem de Castro e Tereza Seiblitz são os destaques das próximas semanas do projeto "Solos femininos", realizado ao longo do mês de março na Acaso Cultural. Com apresentações sempre às quintas-feiras, às 20h, a programação reúne monólogos protagonizados por atrizes e evidencia diferentes trajetórias, linguagens e pesquisas autorais da cena contemporânea.
No dia 19 de março, Luellem de Castro apresenta “A Efêmera Beleza das Flores”.
A peça nos apresenta Ayodele, mulher negra e periférica cuja trajetória atravessa memórias densas, marcas do passado e a incerteza diante do futuro.
Ao acolher duas meninas, Ayodele encontra uma possibilidade inesperada de reconstrução.
A narrativa se constrói a partir de uma escuta atenta do tempo, da experiência e das relações, abrindo espaço para afetos, rupturas e reinvenções.
Com dramaturgia e performance de Luellem de Castro, a peça articula palavra, corpo e música como dispositivos de memória e presença. O texto original é assinado por Cícero Nogueira de Brito, com direção de Larissa Porto e Teddy Zany.
No dia 26 de março, Tereza Seiblitz apresenta “Carangueja”.
Em cena, uma mulher de origem e tempo imprecisos, atravessada por múltiplas vozes que ecoam como se estivéssemos dentro de sua cabeça: anúncios de aeroporto, notícias de jornal, programas de rádio e receitas domésticas.
Ao longo da ação, essa mulher passa a habitar um limiar instável entre humano e crustáceo, entre mulher e carangueja.
A dramaturgia constrói esse processo a partir da imagem do manguezal — território de encontro entre rio e mar — como metáfora da força vital criadora da Terra e das existências que se formam no atrito, na mistura e na resistência.
Idealizada, escrita e interpretada por Tereza Seiblitz, a peça lança luz sobre as múltiplas “mulheridades” do mundo contemporâneo. A direção é assinada por Fernanda Silva e pela própria atriz, com direção de movimento de Denise Stutz, em uma encenação física e sensorial que articula palavra, movimento e presença.
Dias 19 e 26 de março (5ª feira)
19/03 — “A Efêmera Beleza das Flores”
26/03 — “Carangueja”
Com Luellem de Castro | Tereza Seiblitz
Acaso Cultural - Rua Vicente de Sousa, 16 - Botafogo
TEATRO
KING KONG FRAN
Comédia | Dir. Rafaela Azevedo | 18 | 60'
qua, 20h
25/mar
A partir de R$ 25
Teatro Riachuelo
127
A atriz Rafaela Azevedo inicia a peça surpresa ao perceber que ainda há homens na plateia.
Com humor afiado e uma boa dose de ironia, ela conduz uma reflexão provocativa sobre machismo, assédio e abuso. Enquanto o público masculino se sente desconfortável, o feminino se diverte e se identifica com cada momento.
A atriz cria uma apresentação solo revertendo os valores da lógica patriarcal, com muitos risos e participações masculinas da plateia com práticas sexistas vividas frequentemente por mulheres. A personagem Fran trabalhou no circo e faz sucesso nas redes há 10 anos.
Com Rafaela Azevedo
Teatro Riachuelo - R. do Passeio, 38 - Centro
TEATRO
MACACOS
Drama | Dir. Clayton Nascimento | 14 | 150'
qui, 19h
02/abr
A partir de R$ 25
Teatro Riachuelo
1667
O premiado e concorrido espetáculo da Cia do Sal, propõe uma reflexão profunda sobre o racismo estrutural e o apagamento da ancestralidade negra no Brasil. A partir do relato de um homem negro que questiona o uso do termo “macaco” como xingamento, a peça percorre episódios históricos e estatísticas que revelam a violência e o preconceito enfrentados por jovens negros desde 1500 até os dias atuais. Com texto, direção e atuação de Clayton Nascimento, a montagem convida o público a encarar verdades silenciadas e refletir sobre as estruturas de opressão ainda presentes no cotidiano.
Com Clayton Nascimento
Teatro Riachuelo - R. do Passeio, 38 - Centro